domingo, 4 de julho de 2010

A Fé Salvadora

Mt 18.3; Rm 10.5-13; Ef 2.4-10; 1 Ts 2.13; Tg 2.14-26

Certa vez Jesus destacou que, a menos que tivéssemos fé como uma criança, de maneira alguma entraríamos no Reino do céu. A fé como de uma criança é um pré-requisito para sermos membros do Reino de Deus. Há certa diferença, contudo, entre ter fé como de uma criança e ter uma fé infantil. A Bíblia nos chama a sermos crianças quanto ao mal, mas maduros em nosso entendimento. A fé salvadora é simples, mas não simplista.

Visto que a Bíblia ensina que a justificação é somente pela fé, e que a fé é uma condição necessária para a salvação, é imperativo que entendemos o que compreende a fé salvadora. Thiago explica claramente o que a fé salvadora não é: "De que adianta, meus irmãos, alguém dizer que tem fé, se não tem obras? Acaso a fé pode salvá-lo?" (Tg 2.14 - NVI). Aqui Thiago faz distinção entre uma confissão de fé e a realidade da fé. Qualquer um pode dizer que tem fé. Embora certamente sejamos chamados a professar nossa fé, a simples profissão de fé por si mesma não salva ninguém. A Bíblia deixa claro que as pessoas são capazes de honrar a Cristo com seus lábios enquanto seus corações estão longe dele. Aquilo que os lábios dizem, sem nenhuma manifestação do fruto da fé, não é a fé salvadora.

Thiago prossegue e diz: "Assim também a fé, por si só, se não for acompanhada de obras, está morta."(Tg 2.17 - NVI). A fé morta é descrita por Thiago como algo sem proveito. É fútil, vã e não justifica ninguém.

Quando Lutero e os reformadores declararam que justificação é pela fé somente, perceberam que era preciso apresentar um declaração cuidadosa de fé salvadora. Definiram a fé salvadora como incluindo os elementos constituintes necessários. A fé salvadora se compõe de informações, assentimento intelectual e confiança pessoal.

A fé salvadora envolve um conteúdo. Não somos justificados por simplesmente cremos em qualquer coisa. Alguns dizem: "Não importa no que você creia, desde que seja sincero". Este sentimento é radicalmente oposto ao ensino da Bíblia, a qual ensina que aquilo em que cremos é profundamente importante. A justificação não ocorre simplesmente pro meio da sinceridade. Podemos estar sinceramente errados. A doutrina certa, pelo menos nas verdades essenciais do evangelho, é um ingrediente necessário da fé salvadora. Cremos no evangelho, na pessoa e obra de Cristo. Isso é parte integrante da fé salvadora. Se nossa doutrina é herética quanto à essência, não seremos salvos. Se, por exemplo, dissermos que cremos em Cristo, mas negamos sua divindade, não possuímos a fé que justifica.

Embora seja necessário termos um entendimento correto das verdades essenciais do evangelho para sermos salvos, o entendimentos correto da verdade de teologia cristã, demonstrando que conhece as verdades do Cristianismo, sem que ele próprio afirme que são verdadeiras. A fé salvadora inclui o assentimento mental da verdade do evangelho.

Mesmo que uma pessoa entenda o evangelho e afirme ou concorde que seja verdade, ainda pode estar longe da fé salvadora. O diabo sabe que o evangelho é verdade, mas o odeia com toda as fibras do seu ser. Existe um elemento de confiança na fé salvadora. Envolve a confiança pessoal e a dependência do evangelho. Podemos crer que uma cadeira suportará nosso peso, mas não demonstramos confiança pessoal na cadeira até que nos sentemos nela.

A confiança envolve a vontade tanto quanto a mente. Ter fé salvadora exige que amemos a verdade e desejamos viver de acordo com ela. Abraçamos com nosso coração a doçura e o amor de Cristo.

Tecnicamente falando, a confiança pessoal pode ser considerada um subponto ou um acréscimo do assentimento intelectual. O diabo pode assentir quanto à verdade de certos fatos sobre Jesus, mas não assente a todos eles. Ele não assente ao amor ou à aspiração de Cristo. Entretanto, quer distingamos ou combinamos assentimento intelectual com confiança pessoal, o fato que permanece é que a fé salvadora requer o que Lutero chamou de fé viva - uma vital e pessoal confiança em Cristo como Salvador e Senhor.

*Assentir: Dar assentimento ou aprovação; consentir, permitir. Conjug.: como

Sumária

1. A fé salvadora á a fé como de criança, mas não fé infantil.

2. Uma pessoa não é justificada por uma mera profissão de fé.

3. A fé salvadora requer assentimento intelectual a verdade do evangelho.

4. A fé salvadora envolve confiança pessoal e amor a Cristo.

Autor: R. C. Sproul
Fonte: 2º Caderno Verdades Essenciais da Fé Cristã – R.C.Sproul. Editora Cultura Cristã. Compre este livro emhttp://www.cep.org.br

A Fé

Rm 1.16-32; Rm 5.1-11; Rm 10.14-17; Gl 3.1-14; Ef 2.8,9; Tg 2.14-26

O cristianismo freqüentemente é chamado de religião. Mais apropriadamente, é chamado de "fé". Costumamos, falar de fé cristão. O cristianismo é chamado de fé porque há um conjunto de conhecimento que é afirmado ou no qual seus aderentes devem crer. Também é chamado de fé porque a virtude da fé é central para sua compreensão da redenção.

O que fé significa? Em nossa cultura, às vezes fé é confundida com uma crença cega em alguma coisa irracional. Chamar a fé cristã de "fé cega", entretanto, não só denigre os cristãos, mas também ultraja a Deus. Quando a Bíblia fala sobre cegueira, ela usa esta imagem para descrever pessoas que, por seus pecados, andam nas trevas. O cristianismo chama as pessoas das trevas, e não para trevas. A fé é o antídoto para a cegueira e não a causa dela.

Em sua raiz, o termo fé significa "confiança". Confiar em Deus não é um ato de crença irracional. Deus se revela para ser eminentemente confiável. Ele nos dá amplas razões para confiarmos nele, provando que somente ele é fiel e digno de nossa confiança.

Existe uma enorme diferença entre a fé e credulidade.Ser crédulo é acreditar em algo sem uma sólida razão. Este é o material do qual as superstições são feitas e prosperam. A fé estabelecida sobre o raciocínio coerente e consistente e sobre sólidas evidências empíricas. Pedro escreve: "Porque não vos fizemos saber a virtude e a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo, seguindo fábulas artificialmente compostas; mas nós mesmos vimos a sua majestade." (2 Pe 1.16).

O cristianismo não se apóia em mitos e fábulas, mas no testemunho daqueles que viram e ouviram com seus próprios olhos e ouvidos. A verdade do evangelho se baseia em eventos históricos. Se o relatos desse eventos não é confiável, então nossa fé seria em vão. Deus, porém, não nos pede para crermos em alguma coisa que seja baseada em mitos.

O livro de Hebreus nos dá uma definição de fé: "Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que se não vêem." (Hb 11.1) A fé compreende a essência de nossa esperança para o futuro. Em termos simples, significa que confiamos em Deus quanto ao futuro baseados em nossa fé no que ele fez no passado. Crer que Deus continuará a ser digno de confianção não é uma fé gratuita. Há muitas razões para se crer que Deus está tão fiel ás suas promessas no futuro quanto foi no passado. Há uma razão concreta, para a esperança que está dentro de nós.

A fé, que é a evidência de fatos que não se vêem, tem uma referência primária, mas não exclusiva, ao futuro. Ninguém tem uma bola de cristal que funcione. Todos nós caminhamos para o futuro pela fé e não pelo que vemos. Podemos planejar a fazer projetos, mas ainda as melhoras previsões que temos se baseiam em nossas elaboradas conjunturas. Nenhum de nós tem conhecimento experimental do amanhã.Vemos o presente e podemos nos lembrar do passado. Somos especialistas em avaliar os eventos depois que acontecem. A única evidência sólida que temos do nosso próprio futuro é extraída das promessas de Deus. Neste ponto, a fé oferece evidência de coisas não vistas. Confiamos em Deus quanto ao amanhã.

Também confiamos ou cremos que Deus existe. E embora o próprio Deus não seja visto, a Bíblia deixa claro que o Deus invisível se manifesta através das coisas visíveis (Rm 1.20). Embora Deus não seja visível, cremos que ele está porque se tem manifestado de maneira tão clara na criação e na História.

A fé inclui crer que Deus existe, embora esse tipo de fé não seja particularmente digno de aplausos. Thiago escreve: "Tu crês que há um só Deus; fazes bem. Também os demônios o crêem, e estremecem." (Tg 2.19). Aqui podemos ver sarcasmo nas palavras de Thiago! Crer na existência de Deus simplesmente nos qualifica a sermos demônios. Uma coisa é crer que Deus existe; outra é crer em Deus. Crer em Deus, ou seja, confiar nele e confiar a ele a nossa vida é a própria essência da fé cristã.

Sumário

1. O cristianismo é uma fé porque se baseia num conjunto de conhecimentos revelados por Deus.

2. Fé não é um salto no escuro de olhos fechados, mas a confiança em Deus que nos move para fora das trevas em direção à Luz.

3. A fé é simples, mas não é simplista.

4. Fé não é o mesmo que credulidade. Baseia-se em razões sólidas e em evidências históricas.

5. A fé fornece a substância para nossa esperança futura.

6. A fé envolve confiar naquilo que não é visto.

7. A fé significa mais do que acreditar que Deus existe, significa crer em Deus e confiar nele.

Autor: R. C. Sproul
Fonte: 2º Caderno, Verdades Essenciais da Fé Cristã, Editora Cultura Cristã.